Atualmente, elas sobrepõem-se umas às outras, mas irão separar-se, cada vez mais, à medida que caminharmos para o futuro. A dimensão das mudanças que estão a ocorrer são extraordinárias. Como ‘icebergs’ gigantes, que se desprendem dos seus antigos blocos de gelo originais e começam a flutuar livremente pela primeira vez em centenas ou mesmo milhares de anos, civilizações inteiras estão a desagregar-se. Iniciamos um processo de transição que se desloca de uma escala individual para uma escala global.

Não estamos sozinhos nesta época de mudanças. Todas as pessoas que encontramos estão de alguma forma envolvidas nas suas batalhas pessoais, procurando reagir a este tempo de desafios. Independentemente das diferenças entre nós, somos todos participantes deste ritual histórico de passagem.

Como indivíduos, não estamos indefesos diante desta mudança monumental. Oportunidades de uma ação significativa e considerável estão por toda a parte: os alimentos que comemos, o trabalho que realizamos, os meios de transporte que utilizamos, o modo como nos relacionamos com outras pessoas, as roupas que usamos, os conhecimentos que adquirimos, as causas humanitárias que apoiamos, o nível de atenção que dedicamos, em cada momento, à nossa passagem pela vida, e assim por diante. A lista é interminável, uma vez que a matéria-prima da transformação social é idêntica a àquela com a qual a nossa vida diária é construída.

Cada um de nós é responsável pela maneira como conduz a sua própria vida – e cada um de nós é um ser único. Portanto, somos os únicos responsáveis pelas nossas ações e escolhas neste período crucial da evolução humana. Ninguém pode tomar o nosso lugar. Cada um de nós contribui de forma singular para a teia da vida. “Ninguém pode fazê-lo por nós. A nossa participação é diferente de todas as outras e aquilo que retemos ou nos negamos a dar é insubstituível.

Acima de tudo, os resultados desta épcoa de transição planetária irão depender das opções que fizermos com indivíduos. Não existem precondições para a escolha de um caminho revitalizador de desenvolvimento da civilização. Não falta nada. Nada mais é necessário, além daquilo que já temos. Não precisamos de tecnologias diferentes que ainda estão por ser descobertas. Não necessitamos de lideranças heróicas, maiores do que o próprio homem. A nossa ‘unica’ necessidade é optar, como indivíduos, por um futuro revitalizante e, depois, agir em comunhão com os outros para fazê-lo frutificar. Por meio das nossas escolhas conscientes, podemos passar da alienação para a ação conjunta, do desespero para a criatividade, da passividade para a participação, da estagnação para a aprendizagem, do cinismo para o interesse pelas outras pessoas. Tendemos a pensar que somos fracos, indefesos, impotentes. Contudo, na realidade, somente nós – como indivíduos, trabalhando em cooperação uns com os outros – temos o poder de transformar a situação atual. Longe de estarmos indefesos, somos a única fonte da qual podem emergir a necessária criatividade, compaixão e determinação. A época do desafio já chegou até nós. O outono da era industrial do desenvolvimento já se transformou em inverno. É tempo de começarmos o próximo estágio da nossa jornada.”

Simplicidade Voluntária” de Duane Elgin