O Planeta terra é constituído maioritariamente acima de 70% pelo elemento "Água", a restante percentagem de +/- 29% é por terreno não coberto por água ou superfície terrestre (estas percentagens variam nos diversos estudos, pelo que não podem ser referidas como exatas)e que consiste em montanhas, desertos, planícies, planaltos e outras geomorfologias.

Sendo que a camada mais externa (pedosfera) da superfície terrestre é composta pelo solo; e deste elemento cerca de 13 bilhões de hectares são propícios ao cultivo, embora só cerca de metade seja "arável" para fins de agricultura e pecuária dos humanos, na realidade só 1,4 bilhão de hectares são de cultivo permanente; considerando que os hectares restantes sofrem derivações quer climatéricas, quer de estado; como a exemplo solos demasiado secos, demasiado húmidos, rasos, rochosos ou congelados.

A desfragmentação das rochas formam os diferentes tipos de solo num processo extremamente lento ao "tempo" do homem; a sua composição é uma mistura complexa de partículas minerais, areias, argila, água e ar, e um "fervilhar" de seres vivos que interagem com a formação/nutrição/transformação desses mesmos solos e seus elementos; tais como os roedores, lesmas, minhocas, aranhas, caracóis, insectos, ácaros (que através de excrementos e decomposição, nutrem os solos), de referir ainda as importantíssimas bactérias nitrificantes que em cooperação com as plantas produzem o azoto e nitrogênio essencial aos organismos (a concentração média de nitrogênio é 16 % nos organismos vivos), assim como outros seres microscópicos com enorme contribuição e desempenho na mistura e criação de enzimas para transformação dos elementos criando desta forma o "HÚMUS", cuja quantidade caracteriza a fertilidade e vida proveniente dos solos. As plantas com as suas raízes também perfuram e quebram o solo amaciando-o para os outros organismos existentes no "Húmus", permitindo espaços ou "bolsas" para reservas de água e ar como efeito esponja, que por sua vez é distribuída ou "transformada"conforme as necessidades dos mesmos. Permitindo assim ás plantas que se ergam captem e transformem a luz solar em energia necessária à alimentação de todos os organismos que dele dependem (incluindo o homem).

Um solo "rico" caracteriza-se pela grande concentração e cooperação de todos estes organismos, assim como pela sua espessura, pois esta varia entre alguns centímetros a metros.

Naturalmente os solos sofrem erosão, causada por fatores climatológicos ( como a precipitação/inundação de água, a ação dos ventos e a evaporização dos solos através do calor) que alteram a sua estrutura. Mas esta ação natural em pouco modificaria os solos se a ação direta e indireta do homem não estivesse presente ( com o mau manuseamento, uso e descuido dos solos que o planeta lhe proporciona).

Desde os primórdios das civilizações do homem, que as mesmas se concentraram em zonas de solos propícios à agricultura (com boas capacidades hídricas e nutritivas), e que este tem vindo a devastar florestas para uso de espaços agrícolas, expondo esses solos isentos de vegetação como barreira natural, completamente "nus" aos ventos (criando solos áridos ou desérticos como em África, Ásia Central, Austrália Central e parte da União Soviética) e outras intempéries; provocando-lhe a desertificação e cansaço ou extinção. Quer pelo uso intensivo de culturas, pela devastação que a atividade da pastorícia causa, quer pelo uso das comuns "queimadas" de florestas (barreiras naturais e purificadoras de oxigênio entre outros elementos) para usufruir de novos rebentos, desequilibrando e ameaçando a sobrevivência de todos os ecossistemas.

Se no passado estes erros foram cometidos por ignorância, hoje ainda persistem, talvez por ganância.

Foram plantadas culturas inadequadas e intensivas que impermeabilizaram os solos quer por pressão do uso de maquinas agrícolas pesadas que o comprimiram, por excesso de rebanhos e culturas intensivas que impediram a precipitação e o ar de entrar no solo,assim como a penetração de raízes; enfraquecendo-o.

Também a pavimentação (por cimentos ou alcatrão) de solos aráveis quer com construções de cidades quer por construção de estradas e autoestradas, etc. Que para além da impermeabilização de solos também desviou ou extinguiu lençóis hídricos, causando assoreamento de rios e extinção de nascentes e o fator mais trágico que consistiu no afastamento do Homem e sua conexão, respeito para com a natureza, fechando-se em circuitos e mercados próprios aos conceitos de riqueza e conforto das sociedades humanas . ( A referir que a Europa, America do Norte e América Central têm dos melhores solos para cultura agrícola do mundo; mas condenam-os como atrás referi).

A poluição, descargas químicas e lixos industriais têm provocado um excesso salino e envenenamento deste recurso natural (a salinização afeta 7% dos solos de hoje; e a radioatividade nos solos persiste durante mais de 50 anos, a exemplo); tornando-o de camada muito fina e ácida, solos inadequados á propagação da vida dos organismos vivos, interrompendo-lhe assim qualquer ciclo de rejuvenescimento.

A referir ainda que a pobreza das comunidades humanas contribuem também na desertificação dos solos, encontrando-se estas maioritariamente em zonas de solos áridos (solos com pouca precipitação e baixo nível de humidade), mas cuja importância é relevante para o planeta, pois as terras áridas ocupam um total de 60,9 milhões Km2 (41,3% da superfície terrestre) e quer pelas suas características quer pelo tipo de vegetação nativa constituem quase cerca de metade das reservas de carbono do mundo (1,430 gigatoneladas ou 46% do total).

Estes solos mais propícios a pastagens naturais sofrem com a ação humana a tentativa de lhe "arrancar" produtividade agrícola e a exploração mineira para satisfação dos mercados mundiais ou locais; cujas ações levam a desertificação do solo.

Embora muitos esforços, leis e programas se encontrem já em curso ou a consciencializar mentes humanas para a preservação ambiental, os mesmos são consequência da manipulação inconsciente e da quase extinção destes recursos naturais, possível colapso da comunidade humana e outras, que agora reconhece a sua conexão e dependência do meio envolvente, assim como os seus limites .

Se ao olharmos para a simbiose dos organismos vivos que produzem e formam o Húmus, para a proliferação da vida na superfície terrestre, assim como a participação das abelhas a exemplo deste processo com a polinização das plantas, entre outros cooperativismos. Leva-me a pensar, e o Homem?

Pois face a esta questão coloco-o como o maestro, com poder analítico e de ética, capaz de admirar e coordenar cada "instrumento" da natureza; corrigir as suas dissonâncias com conhecimentos científicos e tecnológicos, equilibrando os elementos para a funcionalidade e sobrevivência de todos os ecossistemas. Invocando para o seu desempenho harmonioso com o planeta, os três princípios da Permacultura: cuidar da terra, cuidar das pessoas e partilhar os recursos.

TEXTO: Madalena Carneiro
Reflexão realizada pelo estudante de Introdução à Permacultura na Discussão “A relação entre humanos e o solo vivo”

Imagem © Jackie Bradnam