Marshall Rosenberg é fundador e diretor do Serviço Educativo do Centro de Comunicação Não-Violenta (CNVC).

A Comunicação Não-Violenta serve de guia resolução de conflitos em mais de 65 países ao redor do mundo, nos diversos continentes. Nos diversos exemplos sociais da aplicação de CNV encontra-se a prioridade de considerar os valores comuns entre todos, uma atitude baseada na empatia.

A Comunicação Não Violenta é um processo que permite que as pessoas se comuniquem de forma eficaz e com solidariedade e compaixão. Ela foca em expressar claramente sentimentos, necessidades e pedidos , numa linguagem que evite diagnósticos e rótulos. A intenção é falar o que se sente de verdade, evitando o uso do medo, da culpa, da vergonha, da coerção ou da ameaça. O ideal é atingir necessidades mútuas. Sentimentos e necessidades ao invés de julgamentos ou críticas.

Um exemplo dado pelo própio Rosemberg: “Vamos supor que uma mãe vai falar com o filho adolescente que deixou a sala uma bagunça. Uma forma não-violenta de expressar-se poderia ser o seguinte: Paulo, quando vejo bolas de meia sujas na sala, fico irritada porque preciso de mais ordem no espaço que usamos em comum. Poderias colocar as meias no teu quarto?” Veja bem, a mãe poderia reagir de diversas maneiras: punir o filho. Mas quando pratica a comunicação não-violenta deixa claro o que observa, como se sente, qual a necessidade que não está sendo atendida.

Cito Rosenberg novamente : “Entendi que a grande falha da comunicação está justamente em apontar problemas nos outros – em vez de olhar o que eles causam em nós. A comunicação começa quando expressamos os nossos sentimentos. Não fazemos isso porque achamos que ficamos vulneráveis. Mas só assim criamos um relacionamento baseado na sinceridade. A partir do momento que as pessoas falam o que precisam, em vez de falarem o que está errado com os outros, o entendimento aumenta.”

Atualmente, Rosenberg viaja para mediar conflitos e levar programas de paz a regiões assoladas por guerras, como Sérvia -Croácia e Ruanda, mas o interessante é notar que sua estratégia serve também para apaaziguar os combates verbais do nosso dia-a-dia.

Segundo Marshall Rosenberg, é na maneira como falamos e ouvimos os outros que está a chave para o problema das desavenças e discórdias.