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Cultivo Biointensivo

"Devolva ao solo tanto quanto você tenha tirado – talvez até um pouco mais - e a Natureza irá recompensá-lo com abundância" (Alan Chadwick, 1909-1980, Master of Horticulture)

Qual o mínimo de terra necessário para obter o suficiente à própria subsistência?

Esta questão foi formulada por John Jeavons em 1971 e, para obter a resposta, iniciou uma série de trabalhos e experiências com base no Método Biodinâmico Intensivo de Rudolph Steiner, que o levou a publicar o livro: "Cultivo Biointensivo de Comida, Mais Comida em Menos Espaço".

O Método de Cultivo Biointensivo é uma forma de agricultura orgânica em pequena escala, focada em autoconsumo e na pequena comercialização. Por suas características, utiliza tecnologia simples, mas extremamente eficaz, e pode ser facilmente adotada por pequenas comunidades, famílias, quintais, jardins urbanos e periurbanos com os recursos naturais já existentes.

Quando comparado com as metodologias da agricultura mecanizada tradicional na produção alimentos, o cultivo Biointensivo reduz o consumo de água em 66%, e o consumo de energia numa faixa de 94 a 99% a cada unidade produzida. Ao mesmo tempo, o cultivo Biointensivo provoca um aumento substancial no rendimento do solo.

No entanto, apesar da alta produtividade em espaços pequenos e a economia de insumos do Método Biointensivo, a principal vantagem é que ele reconstrói o solo 60 vezes mais rápido do que a própria natureza, promovendo a autossuficiência e a formação de resiliência do solo.

O método Biointensivo fornece uma solução para a segurança alimentar da família em face dos grandes problemas que ameaçam os povos em todo o mundo: poluição e destruição do meio ambiente, esgotamento de recursos naturais e aquecimento global. Com essa ênfase, o método foi desenvolvido para poder cultivar todos os nutrientes para uma dieta completa e nutritiva no menor espaço possível.

Os resultados empíricos baseiam-se na implementação de nove princípios básicos inspirados em várias técnicas tradicionais:

1- Preparação profunda do solo: técnicas como a escavação dupla são usadas para manipular o solo até uma profundidade de 60 cm, o que agrega ar ao solo e melhora a drenagem. Algo semelhante ao ¨Bancal Elevado¨.

2- Uso de compostos: os solos são fertilizados por meio de compostos, que são produzidos no mesmo jardim. Eles reciclam os nutrientes, devolvendo-os ao solo para as culturas seguintes. A compostagem tem muitas propriedades que beneficiam o solo, promovem a vida macrobiótica, disponibilizam mais nutrientes ao solo, absorvem água e melhoram a sua estrutura.

3- Uso de sementeira: As sementeiras ajudam a produzir mudas saudáveis que devem ser transplantadas para o jardim. Ao iniciar a vida das plantas em sementeiras, é permitido um melhor controle das condições durante os primeiros estágios de crescimento. Você pode protegê-los, dar-lhes sombra e economizar água e espaço no jardim.

4- Transplante próximo: as mudas que se desenvolveram melhor nos viveiros são transplantadas para as camas de modo a que haja sempre a mesma distância entre cada semente (na forma hexagonal). Assim, a cama é completamente coberta pelas plantas quando atingem seu tamanho máximo, o que fornece um microclima que favorece o desenvolvimento das plantas.

5- Associação de culturas: O pomar é projetado para que as culturas de espécies que se favorecem um ao outro sejam plantadas próximas umas das outras, enquanto que aquelas que cujo cultivo vizinho seria prejudicial devem ser plantadas separadamente. Cultivam-se espécies que atraem insetos benéficos e outras que prejudicam as pragas.

6- Rotação das culturas: para manter a fertilidade do solo, as culturas são rodadas (o que seria rodar a cultura?) ano a ano. Desta forma, o esgotamento dos nutrientes do solo é evitado, uma vez que diferentes espécies requerem diferentes nutrientes.

7- Cultivo de carbono: Para que o pomar seja sustentável, é necessário produzir uma quantidade suficiente de adubo para continuar fertilizando todas as culturas ano após ano. Isso significa que o pomar tem que produzir biomassa suficiente, com conteúdo de carbono, para retornar o solo e manter sua fertilidade. Portanto, 50% da área deve ser dedicada às culturas de grãos que produzem muita biomassa, como o milho, o arroz ou as plantas forrageiras.

8- Cultivo de calorias: as culturas são selecionadas para produzir uma dieta completa e nutritiva do jardim. Para poder produzir muitas calorias em um pequeno espaço, 30% da área de culturas deve ser semeada com raízes de alto teor calórico, a exemplo dos tubérculos. Da área que permanece, 20% deve ser dedicada ao cultivo de vegetais para obter as vitaminas e minerais necessários. Dentro desta área também, as culturas de alto valor são plantadas no mercado para vender.

9- Uso de sementes de polinização aberta: as sementes de polinização aberta são sementes não manipuladas, isto é, sementes não-híbridas ou transgênicas. Essas sementes podem ser salvas para plantar ano após ano, selecionando-as das melhores plantas e preservando assim a genética que melhor se adapta às mudanças climáticas.

O sucesso do Método de Cultivo Biointensivo depende da aplicação de todos os seus princípios para garantir a fertilidade do solo e, portanto, altos rendimentos. Ao omitir um princípio, a fertilidade do solo pode se deteriorar muito rapidamente (por exemplo, usando o transplante próximo sem a adição de composto). É fundamental que todos os princípios sejam respeitados no momento de aplicar o método de cultivo Biointensivo, pois a falta de algum desses princípios pode prejudicar o cultivo.

Text: Gabriela Nuñez

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